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Pedro Eiras

Estou a ler Textos para Nada, de Samuel Beckett, numa edição já antiga (1970) das Publicações Dom Quixote (páginas ásperas, amarelecidas; na capa, o retrato de Beckett, a três quartos: de olhos quase minerais; pele gasta, de iguana; como um fóssil). São ficções breves; memórias, sonhos, quem sabe o quê. Às vezes fazem lembrar os périplos de personagens de Kafka (mas com menos convicções); ou os passeios de personagens de Walser (mas com menos leveza). São textos extemporâneos, claro; penso: se Beckett os escrevesse hoje, conseguiria publicá-los? Vivemos tempos demasiado exigentes de estórias, sentidos, desenlaces – este livro, pelo contrário, perde-se, perde-nos. Para nada, diz o título? Para nada, magnificamente para nada, assim seja.

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Mundial 2018 – A selecção da Flâneur

Faz dois anos, a Flâneur apresentava a sua primeira convocatória para o Campeonato Europeu, que logo venceu! Agora queremos o Mundial e para atingir tal desiderato (abusarei da linguagem futebolística), reunimos aqueles que de momento nos dão mais garantias de vitória, no plano físico e táctico. Mescla de juventude e experiência, notem que baixamos em 50 anos a média de idade da selecção (123 a anterior), ei-los, os nossos campeões.
 
1 – Heterónimos de Fernando Pessoa, porque baliza preenchida é baliza bem defendida.
 
2 e 3 – Na defesa, entregues às alas, temos Luiz Pacheco e Ângelo de Lima.
 
4 e 5 – No centro da defesa temos Diogo Vaz Pinto, bom jogo de cabeça e forte na marcação individual é também exímio nos lançamentos com e em profundidade. A bola não lhe sai morta dos pés. Ao seu lado está Miguel Torga, o mais internacional futebolista português, jogador duro mas leal, sabe bem os terrenos que pisa.
 
No meio campo apresentamos uma dinâmica linha de 4, basculante, que se desdobra em losango no momento ofensivo (pressing alto) e triângulo no momento defensivo.
 
6 – À direita está Elisabete Marques, jovem talento da academia, rápida, veloz, lesta, nada lenta, antes pelo contrário. Futebolista de sangue frio, é quem assume todas as bolas paradas. De fino recorte técnico, é a rainha das assistências.
 
7 – Andreia C. Faria é quem joga pela esquerda, um pouco acima do lugar onde melhor joga na selecção, no entanto, jogadora polivalente, pode também fazer o lado direito e até os flancos. Repentista e perfeita no drible em progressão, é a chamada falsa lenta. Inteligente a ocupar o espaço vazio e no jogo entre linhas, tem perfume a nossa craque.
 
8 – No miolo, a sagacidade e a visão de jogo de Manuel António Pina. É o cérebro da equipa, quem pauta todo o ritmo de jogo.
 
9 – Gonçalo M. Tavares, o menino que veio do bairro para os relvados. Forte nas segundas bolas e a rodar sobre si mesmo, é o génio dos passes de ruptura.
 
10 e 11 – O ataque é formado por Daniel Jonas, 1 metro e 97 de golo, nada tosco e com caracóis. Ao seu lado, forte a jogar de costas para a baliza e a provocar o desgaste dos defesas contrários, temos Rosa Alice Branco, também de caracóis. A fazer lembrar as nossas lendas (Cadete, Paulo Futre, Chalana, entre outros), esta possante dupla avançada sabe que ao futebolista não lhe basta ser, tem de parecer, e por isso , não descura nunca o visual na hora de festejar.
 
O Mister, o nosso “special one”, é Pedro Eiras. Com um trajecto vitorioso em todos os escalões de formação e um profundo conhecimento das principais academias do mundo, rapidamente se afirmou como líder da nossa selecção, revolucionando toda a metodologia do treino e do jogo. Rigoroso e disciplinador, gosta de jogar bonito. Privilegia a nota artística mas não vai em cantatas, a não ser as BWV, claro.
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Bach – Pedro Eiras

É noite, e eu ando contigo às escuras no corredor. Faremos muitas vezes este caminho, até adormeceres. Os meus olhos habituam-se, e um pouco de luz atrás das portadas revela a forma das estantes. Vejo o suficiente para não ir contra as coisas; e de tanto ir e vir no corredor já sei quantos passos cabem entre as paredes. Saberia fazer este caminho mesmo de olhos fechados.
Seguro-te contra mim. Sinto o teu sono a chegar: no ritmo da tua respiração, no modo como vais deixando cair a cara sobre o meu ombro. Aos poucos, ao ritmo dos meus passos, na penumbra da casa, sossegas. E eu sinto o cheiro da tua pele, do teu cabelo, o calor do teu corpo no escuro. Conforme os teus braços deixam de me agarrar, seguro-te com mais força nas minhas mãos.
[…] Mas murmuro sempre, continuo a murmurar para ti, sempre, Mache dich, mein Herze, rein…, como se estas notas de música pudessem proteger-nos, esses pequenos sons, um pouco de calor entre os nossos corpos. Uma breve melodia, no meio da noite, tudo o que temos, tudo o que existe em nós.
 
Pedro Eiras, in Bach

Pintura: Emanuel de Witte, Interior com mulher tocando virginal

Bach

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Apresentação do livro “Cartas Reencontradas de Fernando Pessoa a Mário de Sá-Carneiro” de Pedro Eiras

Apresentação do livro "Cartas Reencontradas de Fernando Pessoa a Mário de Sá-Carneiro" de Pedro Eiras
Apresentação do livro “Cartas Reencontradas de Fernando Pessoa a Mário de Sá-Carneiro” de Pedro Eiras

 

Apresentação do livro "Cartas Reencontradas de Fernando Pessoa a Mário de Sá-Carneiro" de Pedro Eiras
Apresentação do livro “Cartas Reencontradas de Fernando Pessoa a Mário de Sá-Carneiro” de Pedro Eiras

 

Apresentação do livro "Cartas Reencontradas de Fernando Pessoa a Mário de Sá-Carneiro" de Pedro Eiras
Apresentação do livro “Cartas Reencontradas de Fernando Pessoa a Mário de Sá-Carneiro” de Pedro Eiras

 

Apresentação do livro "Cartas Reencontradas de Fernando Pessoa a Mário de Sá-Carneiro" de Pedro Eiras
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Apresentação do livro "Cartas Reencontradas de Fernando Pessoa a Mário de Sá-Carneiro" de Pedro Eiras
Apresentação do livro “Cartas Reencontradas de Fernando Pessoa a Mário de Sá-Carneiro” de Pedro Eiras

 

Apresentação do livro "Cartas Reencontradas de Fernando Pessoa a Mário de Sá-Carneiro" de Pedro Eiras
Apresentação do livro “Cartas Reencontradas de Fernando Pessoa a Mário de Sá-Carneiro” de Pedro Eiras