Analema

12.00 

de Catarina Costa,

Douda Correria#73

Analema – Catarina Costa

(ilustrações de Malia Poppe/ composição de Joana Pires)

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Descrição

PESADELO

Na véspera de partires sonhei que eras um monstro
com o poder e o desejo de me matar

ao acordar inquiri calmamente o porquê
de eu te ter transformado nessa figura odiosa,
tu que sempre foste o reverso da monstruosidade,
o anjo térreo de asas pesadas, incapaz de planar
acima da matéria que acaricia

desconheço o significado
deste paradoxo onírico da despedida

mas a lembrança do sonho está despojada de horror,
não me causa angústia,
acrescenta só uma gota mais turva
ao lado lodoso da melancolia
onde a tua imagem bóia com brandura:
os anjos, mesmo os de asas pesadas, nunca se afundam