Em “Reencantar o Mundo”, Silvia Federici desenvolve uma análise crítica da política dos bens comuns a partir de uma perspectiva feminista, articulando a investigação histórica com a crítica da economia política para compreender as reconfigurações do capitalismo contemporâneo e defender a ocupação do espaço público, a criação de novas práxis de reciprocidade e a revolta colectiva.
Ao estabelecer uma continuidade histórica entre os cercamentos que viabilizaram o advento do capitalismo — mediante a destruição dos bens comuns, a “caça às bruxas” e a proletarização das populações rurais — e os “novos cercamentos” que sustentam a actual fase de acumulação capitalista global, Federici evidencia a persistência da violência estrutural inerente à expansão das relações capitalistas.